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  A SAÚDE DOS MASTIFFS


       

SOBRE A DISPLASIA COXO-FEMURAL

Doutora Sarah Riviére(UMES)
Escola Nacional Veterinária de Alfort

Definição e Generalidades

A displasia coxo-femural é a afecção ortopédica mais conhecida entre os criadores. Com efeito, ela é um dos problemas mais freqüentes do quadril e é a causa mais importante de desenvolvimento de artrose do quadril no cão. Por definição, uma displasia é uma anomalia do desenvolvimento de uma articulação. A displasia coxo-femural traduz-se, em diversos graus de severidade, por uma instabilidade articular, por uma deformação da cabeça do fêmur e da cavidade do quadril(o acetábulo) e pelo desenvolvimento da artrose. A maior parte das raças grandes e gigantes é afetada por essa doença, enquanto cães de raças pequenas e médias(ou mesmo o gato) são raramente atingidos. Além disso, um cão de pequeno porte apresenta, em geral, menos modificações ósseas que um cão mais pesado.

Origem da displasia coxo-femural

Os cientistas, os veterinários, os geneticistas admitem, há vários anos, que a displasia coxo-femural tem uma origem complexa: genética e ambiental.
É mundialmente reconhecido, que a displasia coxo-femural se transmite de maneira genética por um sistema poligênico. Isso significa que vários genes participam do aparecimento dessa afecção e que é preciso um mínimo de genes codificados para que esta apareça. Assim, um indivídio radiologicamente são pode ser portador de genes desfavoráveis mas, nele, sua expressão é escondida, pois os genes sãos o conduzem para esses genes “desfavoráveis”.
Assim, compreende-se que dois parentes radiologicamentes indenes de displasia podem dar a luz a filhotes que tenham displasia: esses recuperaram genes “desfavoráveis” suficientes dos pais para exprimir a afecção. Não é raro que tais filhotes tenham irmãos e irmãs de ninhada indenes de displasia: esses últimos tiveram sorte de herdar a maior parte dos genes sãos dos pais. Se o cruzamento entre dois animais radiologicamente sãos pode dar, ocasionalmente, filhotes atingidos pela displasia, reproduzir um cão atingido aumenta consideravelmente o risco de nascer filhotes atingidos por essa afecção. Assim, a seleção conduzida pelos criadores e pelos clubes de raça há vários anos visa reduzir, até mesmo proibir a reprodução de cães atingidos pela displasia coxo-femural. Isso permitiu diminuir eficazmente a porcentagem de animais que sofrem dessa doença.
Foi igualmente evidenciado que fatores ambientais se sobrepõe à predisposição genética. Esses fatores ambientais não vão encadear o aparecimento de uma displasia coxo-femural, mas podem acentuar um estágio, mesmo fraco, dessa afecção.
O primeiro desses fatores é o excesso de peso que desempenha um papel desfavorável tanto no cão jovem quanto no cão adulto. No filhote em crescimento, o excesso de peso impõe uma carga importante a um esqueleto que está se desenvolvendo e para o qual os músculos ainda não são suficientemente fortes: as afecções articulares têm mais risco de se desenvolver. No adulto, o sobrepeso fragiliza as articulações e acentua os problemas dos quais sofrem. Assim, em relação à displasia coxo-femural, os cães ganham se estiverem em bom estado corporal(nem a magreza e nem o sobrepeso), recebendo uma alimentação adaptada à sua raça, seu peso e seu crescimento.
O segundo fator ambiental é o exercício. Com efeito, um exercício muito intenso ou mal adaptado a um cão adulto ou a um filhote em crescimento pode encadear lesões articulares irremediáveis no animal e acentuar um problema articular. Assim, deve haver um compromisso entre a evolução do exercício físico pedido ao seu cão e à sua idade, seu desenvolvimento muscular e seu estado físico.
Os sintomas da displasia coxo-femural

Os filhotes e os adultos nem sempre expressam da mesma maneira uma displasia coxo-femural. Os jovens sempre têm dificuldade para se levantar, andar, correr e subir escadas, enquanto em sua idade deveriam ser rápidos e cheios de energia. Os músculos que cercam o quadril e os da coxa são pouco desenvolvidos e uma sensibilidade, até mesmo uma dor, pode ser evidenciada em uma ou nas duas patas traseiras. Os cães que só mostram sinais de displasia na idade adulta apresentam, em geral, menos sintomas: algumas dificuldades para correr ou dor na mobilização forçada do quadril. Com a idade, pode-se desenvolver artrose na articulação atingida. Isso encadeia dor e dificuldades para se locomover. Os sintomas são notórios no frio(ao despertar ou após um repouso prolongado) ou após um esforço importante(caminhadas, jogos, saltos,...).
Manifestando a displasia, quer na juventude, quer na idade adulta, os proprietários evocam freqüentemente uma atitude de corrida particular: “a corrida de coelhos”.

O diagnóstico: a radiografia

A radiografia do quadril é indispensável para confirmar um diagnóstico de displasia coxo-femural. Ela permite igualmente verificar o estágio em que se encontra a doença e proporciona as informações indispensáveis para escolher o tratamento a ser feito. No Brasil, a classificação em vigor possui 5 estágios(vai de A até E): ela se apóia, principalmente, na congruência articular, a forma da cabeça do fêmur e a importância da presença da artrose.
Para se realizar essa radiografia, é preciso que o animal esteja relaxado a fim de poder posiciona-lo sobre as costas e estender ao máximo as suas patas traseiras, é por isso que uma anestesia geral é usada.

Os tratamentos da displasia coxo-femural

As medidas preventivas

Em todos os casos, medidas preventivas são preconizadas. Elas concernem, primeiramente, ao exercício físico. Um cão displásico deve manter uma atividade física mínima evitando ao máximo forçar as suas articulações(saltos, subir escadas...). É indispensável adaptar o nível de exercício pedido ao animal de acordo com a gravidade de sua displasia, seus sintomas e a dor que exprime. Pode-se aqui, exprimir os benefícios da natação, que permite ao cão ter um exercício físico de boa intensidade, preservando suas articulações, já que a água exerce pouca pressão nas mesmas. Se possível, esse tipo de exercício deveria ser sempre privilegiado.
Outra medida indispensável é o controle do sobrepeso. Com efeito, ele é nefasto à boa locomoção do cão e encadeia dificuldades de deslocamento. A perda de peso associada à exercícios físicos adaptados, permite reduzir, às vezes de maneira espetacular, os sinais de uma displasia coxo-femural.

Os medicamentos

Certos cães que sofrem de displasia coxo-femural apresentam sinais pouco marcados e intermitentes. O uso de tratamento antidor(os analgésicos e anti-inflamatórios) pode, então, ser prescrito por seu veterinário para ajudar seu cão a suportar as crises dolorosas. É igualmente possível recorrer a uma categoria de medicamentos à base de substâncias condroprotetoras, cujo papel é limitar a destruição as cartilagem e o desenvolvimento da artrose.

O tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico da displasia coxo-femural usa, essencialmente, três técnicas. A escolha da técnica depende da idade e do estado de saúde do cão, da importância do estado da articulação a ser operada e das possibilidades de recuperação do animal após a operação.
A remoção da cabeça e colo do fêmur é a técnica mais empregada. Ela consiste em tirar a cabeça do fêmur, que é a área que entra na composição da articulação do quadril. Isso permite suprimir os contatos ósseos, dolorosos, entre o fêmur e a bacia.
A tripla osteotomia da bacia pode ser encarada em alguns cães jovens para os quais a articulação displásica não está muito modificada. O princípio é “cortar” os ossos da bacia e “ressoldá-los” graças a uma placa que reconstitui uma articulação do quadril de forma mais normal possível.
Colocar uma prótese no quadril ainda é raro. Ela permite reconstituir completamente a articulação, pois o cirurgião implanta uma cúpula na cavidade do quadril e uma cabeça femural de aço no fêmur.
Para melhorar a recuperação de seu animal após a operação, seu veterinário pode aconselhá-lo sobre a reeducação funcional a ser posta em prática com seu cão. Pode-se utilizar exercícios controlados, natação, corrida em tapete rolante, eletroterapia... A reeducação funcional deve ser adaptada à técnica cirúrgica empregada e à evolução da recuperação de seu cão.


Fonte: Cyno Techniques Royal Canin – Número 1 – Setembro 2006

 
 
 
 
 
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